Nosso Ateliê
Nosso
forno de estilo oriental, conhecido como Noborigama, é construído em
rampa, com o uso de tijolos refratários. Possui uma fornalha e três câmaras
e é alimentado à lenha de eucalipto. Fazemos artesanalmente a nossa própria argila, que é extraída da região, de acordo com o que nos propomos a realizar, como esculturas, objetos de uso ou propostas diversas. A lenha do eucalipto, plantado em abundância no Município, é rachada, selecionada e organizada para cada queima. Preparamos nossos esmaltes com fórmulas próprias, pesquisamos e experimentamos materiais naturais que colhemos do solo e, utilizamos cinzas recolhidas de queimas anteriores na composição de alguns deles. Queimamos as peças de cerâmica a uma temperatura de 1.350°C . Até chegarmos ao resultado final, são feitas duas queimas: na primeira, que chamamos de biscoito, com a duração aproximada de 20 horas, chega-se à temperatura de 800° C a 900° C; após a aplicação de desenhos, efeitos complementares e esmaltes, chegamos à segunda, que chamamos de queima de esmaltes, com duração média de 24 horas. A participação efetiva em todo o processo faz parte dessa nossa escolha de fazermos cerâmica em Cunha, lugar muito agradável, de belas paisagens, bom clima, tranquilidade para o trabalho e onde se vive em contato direto com a natureza. Procuramos sim, dentro desta postura de trabalho e de vida, transmitir aquilo que somos, que sentimos e sonhamos. A
terra - que é a argila, o fogo - que vem da lenha, as mãos - dirigidas
pela intuição e pela emoção, interagem com o todo, em busca de um
instante de magia e de harmonia. |
Noborigama em Cunha
Em
1973, Mieko Ukeseki e Toshiyuki Ukeseki, japoneses, Maria Estrela Paes Vieira e
Alberto Cidraes, portugueses, germinaram no atelier de Mieko e Toshiyuki, no Japão,
a idéia de criar um núcleo de ceramistas no Brasil.
Dois
anos depois, já no Brasil, juntaram-se aos irmãos Vicente e Antônio
Cordeiro, e a Rubi Imanishi, instalando-se em Cunha, Estado de São Paulo, após
muitas pesquisas em busca do lugar ideal.
Cunha,
com ótimo barro, clima de montanha a uma média de 1.000 metros de altitude,
acolheu o grupo que tinha como meta fazer cerâmica de alta temperatura em
forno a lenha "Noborigama". Foi-lhes oferecido pela Prefeitura
Municipal, que vislumbrava o potencial turístico da Estância Climática de
Cunha, um antigo matadouro desativado.
Tempos
difíceis, em que tudo estava por fazer. A construção do forno com
tijolos refratários, com uma fornalha e cinco câmaras, pesquisa e preparação
da argila e principalmente, o desafio de transformar esta saga de lutas, sonhos
e esperanças em obras de arte e de uso.
Nasce o Atelier do Antigo Matadouro de Cunha e o "forno-mãe", local de encontros, acolhimento e formação de muitos ceramistas.