Nosso Ateliê

Nosso forno de estilo oriental, conhecido como Noborigama, é construído em rampa, com o uso de tijolos refratários. Possui uma fornalha e três câmaras e é alimentado à lenha de eucalipto.forno.jpg (47229 bytes)
A
opção pelo "Noborigama", é uma opção por uma vivência mais completa, natural e sensível no processo de se fazer cerâmica.

Fazemos artesanalmente a nossa própria argila, que é extraída da região, de acordo com o que nos propomos a realizar, como esculturas, objetos de uso ou propostas diversas. A lenha do eucalipto, plantado em abundância no Município, é rachada, selecionada e organizada para cada queima.

Preparamos nossos esmaltes com fórmulas próprias, pesquisamos e experimentamos materiais naturais que colhemos do solo e, utilizamos  cinzas recolhidas de queimas anteriores na composição de alguns deles.

Queimamos as peças de cerâmica a uma temperatura de 1.350°C . Até chegarmos ao resultado final, são feitas duas queimas: na primeira, que chamamos de biscoito, com a duração  aproximada de 20 horas, chega-se à temperatura de 800° C a 900° C; após a aplicação de desenhos, efeitos complementares e esmaltes, chegamos à segunda, que chamamos de queima de esmaltes, com duração média de 24 horas.

A participação efetiva em todo o processo faz parte dessa nossa escolha de fazermos cerâmica em Cunha, lugar muito agradável, de belas paisagens, bom clima, tranquilidade para o trabalho e onde se vive em contato direto com a natureza. 

Procuramos sim, dentro desta postura de trabalho e de vida, transmitir aquilo que somos, que sentimos e sonhamos.

A terra - que é a argila, o fogo - que vem da lenha, as mãos - dirigidas pela intuição e pela emoção, interagem com o todo, em busca de um instante de magia e de harmonia.

Noborigama em Cunha

Em 1973, Mieko Ukeseki e Toshiyuki Ukeseki, japoneses, Maria Estrela Paes Vieira e Alberto Cidraes, portugueses, germinaram no atelier de Mieko e Toshiyuki, no Japão, a idéia de criar um núcleo de ceramistas no Brasil. 

Dois anos depois, já no Brasil, juntaram-se  aos irmãos Vicente  e Antônio Cordeiro, e a Rubi Imanishi, instalando-se em Cunha, Estado de São Paulo, após  muitas pesquisas em busca do lugar ideal.vistacunha.jpg (111010 bytes)

Cunha, com ótimo barro, clima de montanha a uma média de 1.000 metros de altitude, acolheu o grupo que tinha como meta  fazer cerâmica de alta temperatura em forno a lenha "Noborigama".  Foi-lhes oferecido pela Prefeitura Municipal, que vislumbrava o potencial turístico da Estância Climática de Cunha, um antigo matadouro desativado.

Tempos difíceis, em que tudo estava por fazer.  A construção do forno com tijolos refratários, com uma fornalha e cinco câmaras, pesquisa e preparação da argila e principalmente, o desafio de transformar esta saga de lutas, sonhos e esperanças em obras de arte e de uso.  

Nasce o Atelier  do Antigo Matadouro de Cunha e o "forno-mãe",  local de encontros, acolhimento e formação de muitos ceramistas.